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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

História de Mulher

Texto dedicado a nós (Lilica, Satika) por João Octávio
"Era uma vez uma garotinha. Nascida no início dos anos 80, foi criada por uma família normal, com pai e mãe normais. Não teve irmãos ou irmãs. Mas pode-se presumir que amigos na infância não faltaram.
Era uma garota como qualquer outra nascida nessa época: magra, esbelta, cabelos compridos e com uma franjinha. Na verdade, os cabelos compridos e o fato de sempre usar camisa (meninos costumam andar na rua só de short) eram os únicos indicativos de que ela era uma garota. Naqueles tempos, as crianças costumam deixar de ser crianças bem mais tarde, logo, até por volta dos quatorze anos a menina era o que hoje se costuma chamar de tábua: não possuía bunda nem seios salientes.
Era dona de uma beleza diferente, raramente compreendida. Possuía sardas em excesso, espinhas não mais que o normal e um pequeno problema de ortodontia. Não que tivesse dentes feios, ao contrário. Eles simplesmente não eram perfeitamente alinhados, o que, juntado a todos os outros fatores, fazia dela motivo de gozação e escárnio por seus colegas de sala.
Foi provavelmente ao chegar nos quinze que ela começou a desenvolver seu corpo. Seios começaram a ficar protuberantes, uma bundinha começou a preencher os espaços antes vagos de suas calças. Infelizmente, hormônios são coisas bizarras. Não se sabe o que deu errada (progesterona de menos, testosterona acima do normal pros padrões femininos?), mas junto dessas qualidades surgiu um pequeno defeito: um bigode. Não aquela pelagem fina, que se costuma encontrar acima dos lábios de algumas mulheres e, que diga-se de passagem, às vezes é até charmoso, mas uma camada espessa de pêlos. Era um bigode que faria inveja a alguns meninos de sua idade.
Imagina-se o quão difícil foi este período: garotas troçavam e garotos desprezavam. Os únicos que se aproximavam dela a viam como nada mais do que um objeto sexual fácil, embora assim não o fosse. Afinal, eis a lógica usada: “se ela é feia, ninguém quer. Se ninguém quer, ela aceita qualquer um. Se aceita qualquer um, faz qualquer coisa pra mantê-lo. Logo, sexo deve ser fácil, fácil”. Infere-se facilmente, infelizmente, que esse tipo de atitude devia deixar a menina em questão deveras triste, depressiva e reprimida.
Um dia, ela conquistou uma amiga. Na verdade, encontrou ou esbarrou seria mais correto, já que nada foi feito para conquistar. Não se sabe muito bem como isso se deu: se encontraram-se por acaso numa festa, na casa de um amigo, numa caminhada pelo parque, numa sala de aula. Afinal, isso faz muito tempo e ninguém costuma lembrar como conheceu um amigo. Sabe-se que essa amiga era o oposto dela: um pouco mais jovem, mas bem mais bonita (cabelos castanhos ondulados, olhos castanho-claros, seios fartos, cintura definida e um sorriso capaz de fazer qualquer macho babar) e sexualmente bem decidida. Apesar das diferenças, realmente se tornaram amigas. Nessa época, influenciada pela nova companheira, ela resolveu dar um trato no visual.
Em poucos meses, nossa garotinha se tornou uma mulher. Passou a depilar seu bigode (que nunca mais foi visto), a usar blusas decotadas e saias e calças que ressaltassem suas belas pernas. Tornou-se atraente. Passou a ser assediada pelos colegas de sala (agora, na faculdade, não no colégio). Teve experiências sexuais e amorosas, às vezes uma ou outra, às vezes ambas de uma vez.
Um dia ela se apaixonou de verdade e foi correspondida, vejam só. Dizem que o cara era desses exemplares hoje raros de se ver: gostava de andar a pé com ela, abraçado. Quando saiam, ele sempre lhe puxava a cadeira. Costuma sentar sempre próximo e, vez por outra, do nada, dar um beijo e abraço demorado. Daqueles que hoje em dia só se vê em público quando o casal é jovem e o relacionamento é recente.
O relacionamento foi intenso. O rapaz, jovem sonhador, aspirante a escritor que ainda morava com os pais, embora possuísse bom emprego, foi logo aceito pela família da moça. A moça foi aprovada pela mãe do rapaz. Em poucos meses, eles praticamente já moravam juntos: era comum ela dormir na casa dele, usar as roupas deles, abraçar de manhã a mãe dele (ainda usando só um camisão dele) como se fosse a sua.
Um dia, sem preparação nenhuma, sem aviso nenhum, ele chegou pra ela e exibiu a mão direita: “olha só, amor: O que você acha dessa coisa que achei nas gavetas de minha mãe?” A “coisa “ tratava-se de um fino anel de ouro no centro de sua mão. “Bonita, muito bonita. Linda, na verdade. Por que foi que sua mãe trocou essa aliança pela que ela hoje usa?” “sei lá – ele respondeu – Mas se você achou tão bonita assim, por que não usa? Acho que cabe direitinho no teu dedo. E, olha só!, tem outra aqui que cabe direitinho no meu”. E assim, com um diálogo desses, ele a pediu em casamento. Alguns segundos demoraram pra ficha cair, pra menina se tocar do que estava acontecendo. Quando ela se deu conta, começou a chorar (coisa típica de mulher, nunca vou entender) e o abraçou com força. O sexo que fizeram naquela noite até hoje é lembrado por ela com um carinho enorme.
Mas a vida nunca sai como esperamos. Como diria Tom Hanks em Forrest Gump: “A vida é como uma caixa de bombons: você nunca sabe o que vai encontrar dentro”. Tudo estava perfeito, tudo estava lindo demais pra ser verdade. Parecia até um sonho. Um sonho do qual nossa garotinha (agora uma mulher, vale lembrar) foi bruscamente acordada: numa madrugada idiota qualquer, um idiota qualquer causou um acidente estúpido demais com seu noivo. O socorro chegou tarde demais e ele faleceu.
Nossa mulher voltou a ser uma garotinha: triste, pesarosa, chorona. Sem sair do quarto por meses. Perdeu peso, quase voltou a ser uma tábua de tão magra que ficou. Parecia que ia morrer de tristeza. Mas nessas horas, ter amigos é bom: aquela velha amiga, aquela que a ajudara a crescer, a se transformar em mulher, a ajudou a sair da fossa. A arrastou novamente pro mundo dos vivos.
Se ela um dia conseguiu superar a morte de seu amado? Impossível responder. Dois anos se passaram, ela já amou outros. Mas mesmo assim, em algumas noites frias, sozinha em seu apartamento, ela chora até de tarde lembrando o quão bom era dormir de conchinha com ele…"

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

"Ah: fumarás de mais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permancerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio jeito exato dele, em algum cheiro o cheiro preciso dele. "
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Crime premeditado

Ok, você não quer mais ver a minha cara, nem tampouco apalpar a minha bunda flácida. À você não interessa conhecer minhas peculiriadades em suas variadas cores e matizes, provar meu patê de ricota com cereja e menos ainda a minha sopa de beterraba. Tá bom, não terei eternidades ao seu lado, nem mesmo sexo mecânico com hora marcada pra gozar e depois vestir a calcinha-que-estava-no-chão-sujo-com-o fundilho-virado-pra-baixo e ir embora.
Então, em vista da impossibilidade de ter o que quero ou de ter as horinhas medíocres que você me ofereceu até hoje, resolvi te matar.
Vou te sufocar com o meu travesseiro e ainda que você tente afastá-lo com toda a sua força arduamente adquirida com horas de treino exaustivo e prática de dietas, vou resistir até conseguir te deixar sem ar, mas vou fazer aos poucos, vai ser lento, assim como você fez comigo quando me mantinha em banho-maria.
Vou jogar em você todos os meus vidros de perfume francês, meus copos e pratos, o tampo da mesa de jantar, a vidraça da sala, do quarto e da área de serviço, fazer você sangrar e sentir dor, uma dor muito maior do que a que causa em mim essa sua indiferença e esses seus silêncios. Vou deixar você sangrar, sangrar, sangrar, até morrer, morrer dentro de mim...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Insanidade

O que eu sinto por você nasce lá no fundo, mas bem no fundo da alma e passa pelo coração, mas infelizmente brota nos olhos em forma de lágrimas.
Cortar o mal pela raíz seria podar grande parte da minha própria alma, uma parte de mim, do meu ser e como já bem disse Caio, seria desperdiçar a minha capacidade de amar...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"Pick me, choose me, love me"



É uma das frases mais humilhantes e ao mesmo tempo mais lindas que eu já ouvi num seriado. É tudo o que eu queria dizer e não disse. Acho que ainda está em tempo, mas tenho medo. Fiquei covarde depois de tudo. Talvez agora não aceite mais um não como resposta, talvez não, é fato, não aceito mais um não.
Eu te diria: "So pick me, choose me, love me" cause I love you from the bottom of my heart. Dont`t be afraid of me, don`t be afraid of my love...

PS: Sem sombra de dúvidas, este é o post mais imbecil, mais cafona, mais humilhante da Era de Aquário!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Plantão extraordinário

Ah! Poxa, minha doença estava remitindo até que me deparei com você online no MSN. Caramba! Você tinha me bloquado! Por que desbloqueou agora? Seu babaca! Tinha que me manter bloqueada pra eu não te ver e não recair. Infeliz! Odeio-te amo-te!
Num esforço frenético consegui me manter por 5 minutos sem puxar conversa, mas como sou a mulher mais babaca do planeta, disse um oi tímido e esperançoso. Lógico, você desconectou...
Leitores, xinguem-me! Definitivamente, eu mereço!

"eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando"
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 1 de julho de 2008

É grave!

Nem tenho me lembrado tanto de ti, mas só de dizer que esqueci, já me lembrei.
Sei que não tem cura, doutor, essa doença é crônica, aparece de tempos em tempos, em surtos, causando sintomas que acabam por se remitirem espontaneamente.
Já me acostumei com este grande mal que me acomete, já sei lidar com ele, sei que não devo me assustar, que embora muitas vezes venha como uma avalanche, os sintomas irão embora e tudo voltará às condições normais de temperatura e pressão.
Já não tenho mais qualquer esperança de descoberta de cura, até porque, doutor, a cada vez que te vejo pessoalmente, em fotos, videos ou que te ouço parece que os sintomas se intensificam. Sabe-se lá como foi que adquiri este mal, mas creio não ser a única paciente com este tipo de enfermidade.
Aconselho os leitores que apresentarem os sintomas descritos a seguir a ficarem atentos, pois essa enfermidade como já mencionei anteriormente é crônica e precisa ser seriamente controlada para não levar à loucura. Alguns dos sintomas são: sonhos de caráter erótico com uma mesma pessoa, vontade súbita e incontrolável de ver uma mesma pessoa, entrar em transe apenas de pensar no ser em questão, cometer as maiores loucuras possíveis para estar com o agente causador da enfermidade. Veja como é grave, ao invés do portador fugir do agente causador ele quer cada vez mais estar perto dele.
É, doutor, é grave mesmo, mas sei conviver com isso...
"mas não é no cérebro que acho que tenho o câncer, doutor, é na alma, e isso não aparece em check-up algum"
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Julia, Sabrina, Bianca

Estávamos nus sobre a cama, mas você não queria sexo, queria carinho apenas. Tudo bem, você sabe que o que sinto por você vai muito além do carnal e que o carinho entre nós é um dos meus desejos mais profundos. Entre beijos e carícias começamos a conversar:
Mc Dreamy: - Ah! Já te disse que eu não vou mais namorar!
Lilica: - Mas você namorou nesse tempo que ficamos sem nos falar!
Mc Dreamy: - Namorei nada!
Lilica: - Namorou sim que seu sei. Namorou e não deu certo como sempre...
Mc Dreamy faz cara de coitadinho...
Lilica: - É... você sempre faz as escolhas erradas... Você namora todo mundo, não sei porque não quis tentar comigo...
Olho pro teto vejo uma parede branca. Ao redor, meu guarda-roupas, percebo que estou sozinha na cama... Foi só mais um dos sonhos que tenho com ele... Desejei morrer naquela hora!

PS: Admito, este post ficou Julia, Sabrina, Bianca. Pois é, é a falta de criatividade. Neurônios congelados com essa friaca!

domingo, 22 de junho de 2008

Dói...

Eu já te disse que eu gosto tanto de você que chega dói...

"Não vou fabricar alguém pro seu lugar."

Cedo
Jay Vaquer

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Hoje por um momento tive saudade. A saudade que já não vinha há muito, pois havia se transformado em mágoa. Neste laspo, num impulso mais que adolescente, ocultei o ID do meu celular e liguei no teu. Tudo isso pra ouvir um simples alô esbaforido. Lembrei-me que fazia isso aos 15 anos quando era apaixonada pelo garoto mais combiçado do colégio. Às vezes penso que não mudei nada...
"Sou o novo, sou o antigo, sou o que não tem tempo
O que sempre esteve vivo, mas nem sempre atento
O que nunca lhe fez falta, o que lhe atormenta e mata"

Mal Necessário
Intérprete: Ney Matogrosso
Composição: Mauro Kwitko

domingo, 1 de junho de 2008

Refletindo...

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."

Como sempre: Caio Fernando Abreu. Sempre me encontro e te encontro nos dizeres dele.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

DOCES MORANGOS DOCES


E por falar em desejos… Mais um devaneio…


Num belo dia ensolarado, estamos nós dois em um parque… Será o parque do Ibirapuera ou alguma pracinha?

Depois de alguns passos lentos e uma boa conversa durante o trajeto, achamos um cantinho…

Eu me ajoelho na grama, estendendo as cangas… Tiro alguns itens da cesta, enquanto você me observa com um sorriso e mordendo os lábios…

Então, você se aproxima de mim e me agarra… Eu quase derrubo a garrafa de Lambrusco e as taças… Eu resmungo por conta da sua surpresa, mas logo em seguida eu sorrio, e então você percebe que adorei você me abraçando, me colocando perto do teu corpo…

Enquanto nos beijamos, sua mão percorre o meu corpo, minhas mãos acariciando tua pele sob tua camiseta… eu fecho os olhos pra sentir teu calor e o teu cheiro com mais intensidade…

Então, você se senta e me pede pra ficar entre suas pernas… Sim, é o que eu faço…

Depois de servir o vinho nas taças, retiro um pote com morangos e outro com chantili.

Eu me viro um pouco e mergulho um morango no Lambrusco… Ofereço a você. Escorre uma gota em seu queixo, onde tocam os meus lábios… Sorrimos… Mordo levemente teus lábios…

Em seguida, você mergulha outro morango no chantili e me oferece, sujando a ponta do meu nariz… Você ri e limpa com o dedo indicador… Eu seguro sua mão e absorvo o creme que está no seu dedo… Você me pede pra fechar os olhos e sinto o morango tocar meus lábios… Eu o mordo e na mesma hora você beija a minha boca, mordendo meus lábios…

Você se deita e um pedaço do seu abdômen fica à amostra… Fico meio deitada ao seu lado e mergulho novamente um outro morango no vinho… Digo pra você fechar os olhos e então, ao invés de tocar seus lábios, deixo escorrer uma gota na tua barriga… Você sente meus lábios tocando tua barriga, enquanto segura minha mão em que está o morango…

Sinto já o teu desejo pulsando… Tuas mãos percorrendo o meu corpo, me apertando contra o teu…

Então, você se mexe e me vira, ficando sobre mim… Beija os meus lábios, como se fossem deliciosos morangos…

Doces morangos, apreciados com total volúpia…

Morangos cuja forma lembra o coração e cuja cor, vermelho, evoca o desejo…

É o momento em que o tempo pára, e naquele instante existem apenas duas pessoas, sob a copa de uma grande árvore, perdidas nos olhos e no desejo um do outro…

É o momento em que você fecha os olhos e eu percebo teu desejo… É o instante em que você me toca e sente meu corpo estremecer…
Momento de entrega mútua e total… Momento em que dois corpos se fundem em um só…

E no auge disso tudo, o maldito despertador toca… Era apenas um sonho do qual eu não queria ter acordado…

Onde estará você? Será que você ainda pensa em mim?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sua mensagem foi enviada COM SUCESSO!

Certa feita, "alguém" resolveu me cutucar com vara curta e me escreveu um e-mail erótico pensando que seria rechaçado na resposta. Ledo engano, não só respondi a altura como tempos depois consegui descobrir que a vara do ser supra citado não é curta coisíssima nenhuma. Se o e-mail dele foi uma tentativa de me fazer desistir, o tiro saiu pela culatra. Isto serve de lição, não mexa comigo, pois pago pra ver e vou até o fim. Tá, o que eu sentia pelo cara era uma espécie de amor, mas a vida é assim, cada um dá o que pode e se ele só podia me oferecer uma noite de sexo porque não aceitar? Até por que ele é GOSTOSO!!!! É, assim em caixa alta mesmo!
Confira abaixo a resposta que lhe foi enviada com sucesso. E que sucesso, hein?


Você já me teve diversas vezes, não na minha fantasia, mas no meu desejo. Já puxou meu cabelos com força enquanto me beijava vestido de médico no repouso do hospital. Já me teve também no capô do carro, na sua moto numa noite de verão e o calor dos nossos corpos aumentando ainda mais o calor. Sobre a mesa do seu consultório chegamos a derrubar objetos de tanta euforia... Já estivemos juntos até em plena Avenida Paulista completamente nus numa noite de chuva, o mundo havia parado e só havia nós dois nos amando de todas as formas. Já mordi tanto seus lábios que até já perdi as contas. Você já me apertou com seus braços fortes e me fez estremecer um sem número de vezes.
Derramei champagne pelo teu corpo nu e a bebi com gosto de você, senti o cheiro da tua pele misturado ao adocicado da bebida... Estiveste em mim tantas vezes que até já me esqueci quantas foram. Nas minhas noites de insônia tive você na minha cama, na sua, senti sua língua passeando pela minha pele arrepiada totalmente entregue, senti seus beijos em todas as minhas vértebras... Nas janelas entre pacientes você me possuiu alucinadamente no meu divã e terminou com gemidos no meu ouvido.
Até dancei pra você a dança do ventre e a famosa dança do poste. Depois, atirei-me em seus braços e nos tivemos loucamente até estarmos exaustos...
Podemos fazer isso de maneira muito intensa sabendo que será a primeira e a última vez. Sim, farei isso com você ainda que eu saiba que será em troca de absolutamente nada!
Te desejo MUITO, MUITO, MUITO, MUITO...


Mexer nisso tudo, de certa forma, ainda dói. Esta devoção que tenho me irrita e o seu silêncio ainda faz sangrar as cicatrizes que ainda não fecharam por inteiro. Pedi que não me deixasse no vácuo, embora não tenham havido promessas de uma próxima vez, um "oizinho" de vez em quando não faz mal a ninguém. Só queria saber onde foi que você arrumou esse chá de sumiço concentrado master que você tomou...

É inevitável citar Caio Fernando de Abreu aqui: "O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos para naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos, marinhos, sargaços."

terça-feira, 27 de maio de 2008

Texto informativozinho bem meia-boca






Mendes tem 37 anos, cabeça raspada e brinco na orelha direita. Pelos modos e pela aparência, o rapaz branco de família evangélica não se distingue de outros milhões de jovens paulistanos, exceto por uma particularidade importante: ele namora um travesti, Flávia. Os dois se conheceram há cinco anos no centro de São Paulo e, de lá para cá, constituem um casal. Na semana passada, sentado ao lado de Flávia na sala de um apartamento na Rua General Osório, Mendes explicava, em voz pausada, as bases da relação. “Nosso relacionamento é hétero”, afirma. Isso quer dizer que, no sexo, ele é a parte viril do casal, enquanto Flávia cumpre o papel de mulher. “Mas entre nós não existe só sexo. A gente tem amor e cuida um do outro.” Com cabelos negros e corpo esguio, Flávia ganha a vida se prostituindo nas ruas. Ele trabalha nas ruas como vendedor.
As palavras de Mendes revelam, sem explicar, um dos grandes mistérios da sexualidade moderna: a sedução exercida pelos travestis. Desde meados dos anos 70, quando despontaram nas esquinas das metrópoles brasileiras com saias minúsculas e seios exuberantes, essas criaturas híbridas conquistaram um espaço enorme no imaginário sexual do país. Todos os dias, milhares de homens se esgueiram por avenidas sombrias para comprar o prazer oferecido por seus corpos alterados. O risco envolvido nesse tipo de operação ficou claro há duas semanas, quando Ronaldo Nazário, o jogador de futebol mais famoso do mundo, transformou-se no protagonista de um escândalo que tinha como coadjuvantes três travestis do Rio de Janeiro. Ele foi com o grupo ao hotel Papillon e, durante a madrugada, desentendeu-se com um deles, Andréia Albertini. Acabaram todos na delegacia, de onde a história ganhou o mundo. A avalanche moral que desabou sobre Ronaldo a partir daí foi incapaz de responder à questão mais simples colocada pelo episódio: por que homens adultos e mesmo famosos arriscam segurança e reputação e vão atrás de travestis?
O antropólogo americano Don Kulick passou um ano vivendo com travestis em Salvador, sabe muito de seu cotidiano e mesmo de suas preferências íntimas. Mas não se arrisca a explicar quem são seus clientes. “Essa é uma grande incógnita. Embora acompanhasse os travestis todas as noites, não consegui distinguir um cliente típico”, diz. O livro de Kulick, professor da Universidade Nova York, sairá em português no fim deste mês, pela editora Fiocruz, com o título Travestis: Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil. Kulick conseguiu uma descrição razoavelmente rigorosa do que os fregueses exigem dos travestis. Durante um mês, pediu a cinco deles que registrassem o tipo de serviço prestado nas ruas. O resultado de 138 programas: em 52% dos casos os clientes queriam sodomizar, em 19% exigiam sexo oral, 18% queriam fazer aquilo que se costuma chamar de “troca-troca”, 9% pagaram para ser sodomizados e 2% para ser masturbados. “Não é insignificante que 27% dos homens nessa amostragem quisessem ser penetrados por travestis”, escreve s Kulick. “Mas esses homens não são maioria, como os travestis geralmente afirmam.”
A confiar apenas no que dizem os travestis, o porcentual de seus clientes que se portam como homossexual passivo é alto. “Nove em cada dez homens querem ser penetrados”, diz Flávia, a namorada de Mendes. “Se o travesti não for bem-dotado e ativo, não ganha a vida na rua.” Exagero? Talvez. Assim como as prostitutas, os travestis têm uma relação antagônica com aqueles que pagam para usar seu corpo. Muitos não suportam exercer o papel viril que se exige deles na prostituição e o fazem com grande sofrimento, porque não encontram outra forma de ganhar a vida. Vingam-se dessa situação degradante com a mesma arma que a sociedade usa para humilhá-los: questionam a hombridade do freguês e o ridicularizam.
O psiquiatra Sérgio Almeida trabalha com travestis em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e sua experiência corrobora em alguma medida a versão de Flávia. Cabe a Almeida a tarefa difícil de distinguir entre os travestis – definidos como homens que gostam de agir e sentir como mulher – e os transexuais, que se sentem mulheres aprisionadas em corpo masculino. Para estes, recomenda-se a cirurgia de troca de sexo. Para os travestis, ela equivale a uma mutilação e pode levar ao suicídio. Almeida gasta dois anos com cada paciente até decidir em que categoria ele se encaixa. “Desde 1997, fizemos 95 cirurgias e não tivemos nenhum problema”, afirma. O pós-operatório mostrou ao psiquiatra que ex-travestis são freqüentemente abandonados por seus parceiros quando perdem a anatomia masculina. E que os operados que insistem em continuar na prostituição perdem também a carteira de clientes. Algo de crucial desapareceu na cirurgia. “Não é verdade que os homens procuram travestis porque estes se parecem mulheres”, diz ele. “Eles querem o algo mais que as mulheres não têm.”
Os próprios envolvidos têm opiniões diferentes. Um leitor anônimo de epoca.com.br enviou depoimento no qual afirma, basicamente, que os travestis são a melhor opção sexoeconômica. Diz ele: “Já saí com vários travestis. O que me atraiu foi justamente o desejo físico pelos bumbuns e seios avantajados. Ficar com uma travesti para mim é conseguir a baixo preço uma mulher de porte e formas que eu jamais conseguiria pagar ou namorar”. Márcia, travesti paulista cuja foto abre esta reportagem, repele qualquer tentativa de analisar os homens com quem sai voluntariamente. “Para mim, homens que saem com travestis são heterossexuais de cabeça aberta, que topam qualquer coisa”, afirma. Advogado, casado, pai de uma moça, diz que tem impulsos de vestir-se e agir como mulher desde criança, mas que isso nunca o impediu de ter relações normais com mulheres: “Quando saio com um homem, ele não importa. O que me interessa é reforçar minha identidade de mulher”.
O mistério em torno dos homens que procuram travestis é proporcional à ignorância que cerca os próprios travestis. Como grupo populacional, eles são escarçamente estudados: não se tem a menor idéia de quantos sejam, no mundo ou no Brasil. Os líderes das organizações de travestis estimam que haja 5 mil ou 6 mil deles no Rio de Janeiro e uma quantidade muito maior – fala-se em 30 mil – em São Paulo. Nenhuma ciência ampara essas estimativas. Sabe-se que há travestis de Porto Alegre a Manaus, inclusive em cidades pequenas. Tem-se a impressão, entre os que lidam com o assunto, que o Brasil é o líder mundial nessa categoria – e o principal exportador para os países europeus, sobretudo Itália e Espanha. “O Brasil tem a maior população mundial de travestis e o maior número de travestis per capita”, afirma Kulick. Trata-se de uma opinião bem informada, mas é apenas opinião. Líderes de organizações de travestis como Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais, querem que o censo inclua perguntas que permitam quantificar os diferentes grupos sexuais do país. “Como se pode dirigir políticas públicas a uma população de tamanho ignorado?”, diz.
A palavra-chave quando se trata de explicar a atração exercida pelos travestis parece ser ambigüidade. Eles são percebidos simultaneamente como homem e mulher, uma incongruência que mexe com as profundezas da psique humana. “O travesti mobiliza o desejo como mobiliza a repulsa”, afirma a psicanalista carioca Regina Navarro Lins. Outra psicanalista, Maria Rita Kehl, vê duas razões no fascínio pelos travestis. A primeira é que, por ser uma mulher com pênis, ele captura os restos das fantasias sexuais infantis. A outra está no fato de os travestis encarnarem a feminilidade de uma forma absoluta, que nenhuma mulher contemporânea aceitaria. “Só um travesti saberia ser tão feminino quanto quer a fantasia de alguns homens”, diz Maria Rita. “Se alguém sabe o que é ‘ser mulher de verdade’ (uma ficção masculina), é justamente o travesti.” Os próprios travestis são taxativos ao afirmar que seus fregueses procuram neles a diferença: a mulher com falo, a fantasia, o risco. “Transgressão é essencial. O proibido atrai”, afirma Marjorie, travesti com 20 anos de experiência nas ruas, que hoje trabalha na Secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro. “As coisas que se dizem sobre os homens que saem com travestis são lendas machistas.”
Paira sobre essa discussão uma palavra que os psicanalistas detestam: patologia. Sim, as pessoas têm o direito inalienável de manter relações sexuais com quem quiserem, desde que haja consentimento mútuo. Posto isso, cabe a pergunta: está bem de cabeça um homem casado (como parece ser a maior parte dos clientes dos travestis) que abre a porta de seu carro na porta do Jockey Club, em São Paulo, e paga R$ 40 por uma hora de sexo com um homem que parece ser mulher? Os especialistas não têm uma resposta unânime a isso.
Liberais dizem que, bolas, desejo é desejo, e não se pode explicar ou reprimir. Há que aceitar. “Entendo que os homens que só se realizam sexualmente com travestis possam estar mal resolvidos em sua orientação sexual”, diz Maria Rita Kehl. “Mas considerar que todos os que gostam de travestis são homossexuais acovardados é uma redução preconceituosa.” Na outra ponta, fala-se em sofrimento e confusão por trás dessa forma específica de prazer. “Para alguns homens é patológico”, afirma o psicanalista Oswaldo Rodrigues, do Instituto Paulista de Sexualidade. “Muitos fazem isso num impulso de autodestruição.”
Há os incapazes de lidar com seu próprio desejo por outros homens. Há os que buscam cumprir seu “papel social” no corpo feminilizado dos travestis. Há de tudo, e nem tudo é a festa do desejo que a modernidade implicitamente recomenda. Onde está o limite? Na dor. De acordo com o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, com mais de 30 anos de experiência terapêutica, muitos homens que saem com travestis o procuram em estado de sofrimento. Eis o que diz a respeito a psiquiatra Carmita Helena Abdo, que coordena o Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo: “Se as pessoas fazem sexo responsável,não estão sofrendo e não me procuram, não quero normatizar a vida de ninguém”.

Fonte: Revista Época

domingo, 25 de maio de 2008

Paixão desde o primeiro "clic"

Desde que nos conhecemos parece que estou sob o efeito de um encantamento...

Por vários dias fiquei lendo e relendo nossa primeira conversa ao MSN, ou trechos dela, porque também nos falamos por voz… Eu ria e sorria sozinha, relembrando o que senti e imaginei a teu respeito...

Aliás, que voz gostosa você tem… Eu confesso que me apaixonei pela tua voz, pela impressão que tive a seu respeito…

Apesar de termos trocado nossas fotos e de seu constante convite p'ra nos encontrarmos pessoalmente naquela noite, eu não me sentia ainda preparada p'ra alçar um vôo assim tão alto e também de me permitir mais coisas… Por quê? Timidez, insegurança e, por que não dizer, medo que você percebesse minha paixão velada…

Finalmente, num dia muito frio, nos vimos ao vivo… Foi de repente que você fez o convite e eu aceitei a aventura… Estava nervosa… Meu coração batia acelerado…

E na minha imaginação, tudo tinha que estar perfeito, mas a surpresa deixou alguns preparativos de lado…

Aqueles instantes em que passamos juntos foram mágicos e até hoje inesquecíveis…

E depois de todo esse frisson, você sumiu... Lembro-me que os dias sem tua presença foram muito ruins, pareciam dias sempre nublados, se arrastando um após o outro...

Qual não foi minha alegria ao te ver online novamente… Retomamos nossas conversas, ainda que breves…

E novamente quis o acaso que nos distanciássemos, agora por uma falha do comunicador… Porém uma feliz coincidência fez com que retomássemos nosso contato, e então eu soube de você mesmo que você tinha planos de ir para longe de mim, e então eu me entristeci… Aos poucos, fui tentando matar essa paixão, arranjando desculpas, como a distância, diferença de idade, que não havia nada entre nós, a não ser uma amizade colorida, que as ilusões e expectativas foram inventadas por mim, etc...

E no meio de tudo isso, num belo dia, veio você cogitando algo a mais do que um breve encontro… Puxa!!! Você não imagina o quanto fiquei surpresa e feliz, mas ao mesmo tempo, frustrada e triste - por um lado era o que mais queria, porém não mais naquele momento em que havia tentado matar todo o meu sentimento por você… Sim, chorei naquele dia, não sei se de raiva ou tristeza…

Os dias foram se passando e cada um foi seguindo em frente e seu próprio caminho… Eu até tinha me reapaixonado por uma pessoa que nunca vi ao vivo, mas isso é tema pra uma outra "conversa"...

Acho que até fiquei meio fria e distante contigo... Porém, você sempre mexia com meus brios, meu juízo... Não me pergunte por que isso acontecia (e acontece)… É simplesmente assim... Toda a vez...

E sempre que nos reencontramos pessoalmente, tenho a impressão que esse encanto se intensifica... Fico dias lembrando e relembrando... E sempre espero a próxima vez...

Hoje com uma diferença: estou sendo mais eu mesma, estou sendo mais espontânea... Antes, eu queria te agradar a qualquer custo… E de vez em quando, eu seguia uns conselhos de minhas amigas, de me afastar, fazer um certo jogo de charme... Contudo, isso nunca dava certo (risos), porque eu não conseguia sustentar essa farsa, preferindo ser eu mesma e de estar, de alguma maneira, próxima a você e não mais distante…

Você continua sendo figura constante do meu imaginário e devaneios... E agora também dos meus sonhos...

E por mais que me digam que estou errada, “A verdade é que não te amo com meus olhos que descobrem em ti mil defeitos, mas com meu coração, que ama o que os olhos desprezam.” (Shakespeare)